sexta-feira, abril 30, 2004

A Dúvida... a eterna dúvida!... Será que vale a pena continuar a massacrar-nos com sentimentos que não valem a pena?... E a dúvida sobre alguém? É que existem pessoas que cimentam essa dúvida, deixam-na agarrada ao chão como uma árvore se enraíza desesperadamente ao solo para poder viver... que amordaçam essa dúvida, sem hipótese de movimento... é esta violência que não sei se merece ser vivida... injustiça? Alguém me diz?...

Ela permanece...


"Doubt"

domingo, abril 25, 2004

Diz-se que uma imagem vale mais do que mil palavras... pois bem...

eu dou-vos a imagem...



... agora dêm-me as mil palavras.

sábado, abril 24, 2004

Talvez não seja apenas o amor que faz mover montanhas... o sonho não só as move, como também as constrói... no fim de contas tudo o que o Homem faz gira à volta daquilo que sonha... tudo, rigorosamente tudo... e assim sendo, é o melhor que ele pode fazer... sonhar... porque no dia em que ele deixar de o fazer, o mundo tornar-se-à estupidamente desnecessário...

sexta-feira, abril 23, 2004

"O Tempo"

O tempo passa... podemos olhar para as crianças que brincam despreocupadas nos passeios, nos parques, nas prateleiras ainda vazias que o tempo segura... as crianças que completam os seus primeiros passos com a sua ingenuidade e confiança... crianças que se perdem, divertidas, nos labirintos minuciosamente desenhados, estáticos onde o tempo já não passa, nos corredores da vida que desembocarão na saída da sua juventude... nesta altura, os caminhos complexos desenhados de propósito para elas os percorrerem, terão deixado a sua marca... os corredores da vida terão desembocado em si próprios, e as crianças já não quererão brincar... ou talvez sim... mas esta será uma outra diversão... aquela que lhes permite conhecer o mundo, que o tempo já lavrou... e escolherão... sim, escolherão a nova entrada para se perderem... escolherão entre as entradas dos ponteiros dos relógios que o tempo manda marcar... e caminharão, cruzar-se-ão uns com os outros... e voltarão a sair... como? Essa questão só diz respeito a uma coisa... ao tempo... porque aí, os ponteiros terão parado, e a escolha será outra... o crescimento não terá parado... mas eles acreditarão que sim... e aí, só mesmo a dúvida os ajudará... a dúvida sobre quando é que o tempo parou...

quinta-feira, abril 22, 2004

Existem pessoas que conseguem deixar marca por onde passam... pessoas que não precisam de muito para poderem dar aquilo que não lhes é pedido... que o fazem, sem saber que o fazem... que o dão, porque é isso que elas são... talvez sejam as que melhor conseguem guardar aquilo que colhem, porque o merecem... são aqueles que conseguem abrir os braços, e apenas assim, conseguem voar... talvez seja isso que os guarde, ou o que os guarda... porque são apenas esses, os que conseguem retirar dos outros aquilo que eles são... porque são apenas esses, que têm a virtude de lá poder chegar, porque têm asas para isso... porque têm o poder de ser o que são... e são eles os que possuem o valor de poder levantar-se dos sítios onde ja foram derrubados, e erguer-se em novo vôo, porque talvez, como já alguém disse, eles possuam aquilo que os outros não possuímos... talvez, porque sejam "dados a voar"...

"and he still gives his love, he just gives it away and the love he receives is the love that is saved... and sometimes is seen a strange spot in the sky... a human being that was given to fly"

("Given To Fly" - Pearl Jam)

quarta-feira, abril 21, 2004

Uma frecha na parede e uma réstia de luz que se escapa entre os limites tão estreitos da fenda absurda. Uma luz esguia que se esforça por sobreviver na escuridão imensa. Uma luz. Um feixe de radiações brancas que se esbatem umas nas outras sobre a forma de calor, e se aproximam no meu rosto que repousa no frio do vazio. Uma luz suave, criança esguia, que se escapa pelos refinados extremos da escuridão. Uma luz ainda insegura do seu destino, mas certa do seu valor. Uma luz que me vai acordar, e me vai fazer levantar nos dias em que o mundo parece ter desaparecido. Uma luz que me vai alimentar, que me vai fazer valer o esforço de poder erguer-me frente ao mundo, e dar-me a oportunidade de repousar nele pelo menos mais uma noite...

sábado, abril 17, 2004

Existem caminhos que já não devem ser percorridos, porque já lá passámos uma vez... esses caminhos não deverão ser trilhados de novo, porque já lá deixámos marcas da nossa passagem, e que muitas vezes não queremos encontrar... marcas tão reais, que podem ser quase como fotografias... esses caminhos que um dia abrimos por entre as veredas mais cerradas, e que tão felizes nos deixou tal façanha, hoje em dia são apenas marcas tortuosas do nosso passado. Esses caminhos não deverão ser esquecidos, mas apenas isso... não deverão ser caminhados de novo... porque são apenas e deverão ser apenas recordações.... no entanto, é importante recordar onde foram deixadas essas marcas, ou quem as guardou... porque certo é, que quem as guardou nos acompanha nestres outros caminhos que construímos agora, porque os outros já estão lá atrás... e mesmo que pareça mais fácil voltar para trás, porque os caminhos que estamos a construir se estao a dirigir para encostas íngremes, e pareça ser ainda um longo caminho, não devemos voltar a cara atrás com intenção de retroceder... apenas para recordar... porque esses caminhos são apenas isso... recordações...


"A Persistência da Memória" (Salvador Dalí)

“Silêncios”

O silêncio. O nosso silêncio. Os corpos juntos, colados, subjugados ao respirar mútuo, ao olhar mútuo. Dois caminhos distantes unidos por um segundo. Dois corpos despidos de si, vestidos um com o outro, no derradeiro embate. O silêncio. O meu silêncio. O nosso silêncio. Dois mundos unidos por um fio de sangue. Unidos por um segundo, derradeiro na paixão consumada. O teu silêncio. O nosso silêncio. As palavras não voam. Não vivem. Os olhos devoram-se em expressões puramente platónicas. Dois corpos unidos. Dois instantes fundidos. Esse silêncio. O nosso silêncio.


"O Beijo" - Klimt (1907)

sexta-feira, abril 16, 2004

Por vezes o silêncio é o nosso melhor amigo... quando as palavras não soam, os olhos não vêm e o coração não sente... sem palavras, não há dor...