sábado, julho 17, 2004

fechado para férias 
  


Parece cedo, mas é altura de fazer um descanso... vou voltar a casa, e no próximo mês e meio, vou deixar aqui o meu silêncio, enquanto vou estar de "vadiagem" pelas terras do algarve, eh eh...

Por agora, deixo-vos aqui, a letra de uma música de Pearl Jam que eu adoro, e que fica dedicada a um grande amigo meu, que não é preciso dizer quem é, que ele sabe :) (abração amigo)
 
Cláudia, "como dirias adeus a alguém que nunca saberá o que é deixar de existir, a alguém que viverá na eternidade de duas palavras, para sempre?", adoro-te, i'll miss you (L.V.)...
 
Pessoal, muito obrigado por cá virem, e até ao meu regresso, boas férias e divirtam-se :)

«Off He Goes»
 
"1, 2, 1, 2...
know a man, his face seems pulled and tense
like he's riding on a motorbike in the strongest winds
so i approach with tact
suggest that he should relax
but he's always moving much too fast
said he'll see me on the flipside
on this trip he's taken for a ride
he's been taking too much on
there he goes with his perfectly unkept clothes
there he goes...
he's yet to come back
but i've seen his picture
it doesn't look the same up on the rack
we go way back
i wonder about his insides
its like his thoughts are too big for his size
he's been taken... where, i don't know?
off he goes with his perfectly unkept hope
and there he goes...
and now i rub my eyes, for he has returned
seems my preconceptions are what should have been burned
for he still smiles...
and he's still strong
nothing's changed, but the surrounding bullshit that has grown
and now he's home
and we're laughing like we always did
my same old, same old friend
until a quarter-to-ten
i saw the strain creep in
he seems distracted and i know just what is gonna happen next
before his first step
he's off again"

segunda-feira, julho 12, 2004

Quando o mundo acabar será que ficará alguém para ver o que deixámos? Não sei, quem saberá? Qual de nós restará... se é que restará alguém... A pena pela futura (in)existência de nós não existe... Desdém também não, afinal (parece que) não fizemos nada do que nos envergonharmos (ou será que fizémos?)... Uma coisa eu sei que fica... e ficará... e perdurará... O MEDO, da não existência. O medo da perda de tudo o que foi feito para NADA... é isso que um dia restará do mundo... se é que restará algo...


"el mundo" - Ángeles Santos

sábado, julho 10, 2004

Olho pela janela do meu quarto, e vejo apenas o meu mundo... vejo apenas aquilo que os meus olhos querem e deixam ver. Também não quero ver de outra forma, talvez esta seja a única forma de (ainda) viver feliz, porque do outro lado posso ver vida. Não falo da paz, porque se torna (apenas) hipotética do outro lado da janela. Abro-a, deixo o ar da manhã entrar, e respiro-o avidamente, na esperança de lhe sentir o aroma fresco, mas ela não existe; (terá existido, de verdade, alguma vez?). Sinto que a beleza do meu mundo se esbate como um quadro ao sol... que se borra como um quadro a chuva, aquele quadro que eu coloquei è minha janela, na minha condição humana, para me poder enganar, pelo menos, mais uma manhã...


Magritte, The Human Condition (1933)

sexta-feira, julho 09, 2004

Imagine-se que a vida é uma flor de cativeiro, e que por cada desejo corrompido por alguma força maior que ele próprio, lhe cai uma pétala... e que ao longo do inverno as pétalas continuam a cair à medida que as vontades fogem também... caem as pétalas formando um manto que havemos de percorrer um dia, quando a viagem for feita no sentido inverso, no outro lado, onde as pétalas elas próprias voltarão a nascer frescas e matizadas de cor... um caminho feito na procura não da experiência, não da aventura, não da descoberta, mas da inocência... segurar com a mão as gotas de orvalho que brotam suavemente das pétalas que um dia pisámos... que um dia foram as frutrações mais vincadas, que as fizeram cair... segurar com as mãos, a força que existe algures, fechada num cofre, dentro de nós, para termos o poder, a força, a vontade, de fazer viver aquilo que já vimos desaparecer...

OST - "Return To Innocence" - Enigma

segunda-feira, julho 05, 2004

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN (1919-2004)

Dia 2 de Julho, a cultura portuguesa perdeu aquele que foi e será um dos maiores ícones da sua literatura. Sophia de Mello Breyner faleceu aos 85 anos, deixando uma vasta obra de uma rara beleza assim como de uma criatividade e originalidade soberbas. Desde a poesia mais interventiva até aos contos infantis, encantou gerações (e de certo continuará a encantar) e gravou o seu nome com o pó de estrelas que jamais alguém conseguirá apagar. Deixou aqui a minha homenagem, para aquela que para mim, é e será uma das melhores escritores portuguesas, autora do primeiro livro que li em criança ("A Floresta") e também autora de um dos poemas que mais gosto escritos em português. Sophia de Mello Breyner foi, é e será, uma das minhas referências enquanto escritor (embora amador) e como apreciador de literatura. À sua escrita devo o meu interesse, o meu prazer e a minha paixão por escrever. Com ela partiu, a par de Vergilio Ferreira e Eça de Queiróz, uma das minhas referências; comigo ficam, as palavras que ela deixou, porque foram elas que construiram a sua vida, de uma beleza inultrapassável assim como de uma generosiadade imensurável.

"Quando eu morrer
voltarei para buscar
Os instantes que não
vivi junto do mar"

("Inscrição", in Livro Sexto)