Já era tarde quando caminhei hoje, sozinho, por Vila Real de Santo António. É uma cidade bonita, no entanto fria… e sozinha, agora adormecida, neste seu recanto escondido. Restam-lhe os raios de luz do farol, teimoso e quase distante, que lhe pisca o olho em sinal de companheirismo.
Não foi aqui que eu nasci, mas foi nestas ruas que dei os primeiros passos para os caminhos que percorro agora. Talvez ela fosse uma criança como eu o fui também. E o tempo passou. E passa. Eu continuo a crescer. Ela também.
As ruas cruzadas, e solitárias (agora à noite), deixam-se permanecer a mercê desta passividade nocturna, que é inteligível durante o dia, quando o sol aquece. Agora, está fria. Talvez porque está sozinha. Ouvem-se sussurros dos que ainda andam pela rua (como eu), tentando não a despertar do seu sono profundo. [Interrupção]. Encontrei os putos que (um dia) conheci. Já (quase) não os reconheço. Sofrem do mesmo que eu às ordens do tempo. Cresceram. O seu barulho, contudo, não a despertou.
Puxei um cigarro. Sozinho. Eu. O cigarro. Ambos. E ele, também, se consumiu. Impaciente. Não acelerei os meus passos. Não quero. Gosto desta nossa cumplicidade.
No nosso encontro. Já quase não a (re)conheço. Só a lembro. Quando um dia passei (talvez não sozinho) por estas ruas. Tão iguais. Tão diferentes. Transportando o mundo dentro de mim. As luzes estão apagadas, e o farol insiste em (tentar) dar-lhes vida. Inútil. A cidade gosta do seu repouso. Eu também…
As lembranças correram enquanto caminhei. O tempo também. Todos os encontros que tive nestas ruas, como elas próprias se cruzam à minha frente.
Foi bom. Reencontrá-la [a cidade]. Revê-la e rever-me. Não sei quando voltarei a fazê-lo… caminhar, sozinho… talvez um dia, e à noite, outra vez, no turpor de todo este silêncio. De toda esta solidão. E eu senti-me tão acompanhado.
Caminharei por estas ruas outra vez… sozinho… um dia… talvez.
Vila Real de Sto António, 31-08-2004. 04.02h
Não foi aqui que eu nasci, mas foi nestas ruas que dei os primeiros passos para os caminhos que percorro agora. Talvez ela fosse uma criança como eu o fui também. E o tempo passou. E passa. Eu continuo a crescer. Ela também.
As ruas cruzadas, e solitárias (agora à noite), deixam-se permanecer a mercê desta passividade nocturna, que é inteligível durante o dia, quando o sol aquece. Agora, está fria. Talvez porque está sozinha. Ouvem-se sussurros dos que ainda andam pela rua (como eu), tentando não a despertar do seu sono profundo. [Interrupção]. Encontrei os putos que (um dia) conheci. Já (quase) não os reconheço. Sofrem do mesmo que eu às ordens do tempo. Cresceram. O seu barulho, contudo, não a despertou.
Puxei um cigarro. Sozinho. Eu. O cigarro. Ambos. E ele, também, se consumiu. Impaciente. Não acelerei os meus passos. Não quero. Gosto desta nossa cumplicidade.
No nosso encontro. Já quase não a (re)conheço. Só a lembro. Quando um dia passei (talvez não sozinho) por estas ruas. Tão iguais. Tão diferentes. Transportando o mundo dentro de mim. As luzes estão apagadas, e o farol insiste em (tentar) dar-lhes vida. Inútil. A cidade gosta do seu repouso. Eu também…
As lembranças correram enquanto caminhei. O tempo também. Todos os encontros que tive nestas ruas, como elas próprias se cruzam à minha frente.
Foi bom. Reencontrá-la [a cidade]. Revê-la e rever-me. Não sei quando voltarei a fazê-lo… caminhar, sozinho… talvez um dia, e à noite, outra vez, no turpor de todo este silêncio. De toda esta solidão. E eu senti-me tão acompanhado.
Caminharei por estas ruas outra vez… sozinho… um dia… talvez.
Vila Real de Sto António, 31-08-2004. 04.02h
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