sexta-feira, setembro 24, 2004

A lua vai minguando
Enquanto sou embalado pelo teu canto
Cantas estrelas, sonhos, sorrisos
Na profundeza dos teus olhos, o brilho...
... de uma luminosidade rara
Uma eternidade por ti esperara
Pela efemeridade de um beijo quente
Dás-me força, dás-me alento...

Enquanto soltas um suspiro...
... lento...
O caminho pelo qual esperas...
... chega...
E com ele, (eu), e o momento
Pelo qual esperámos os dois no tempo
No sussurro, o vento...
...que nos aproxima
E nele o segundo eterno em que nos olhamos
E o abraço rebenta
Como uma onda sedenta de um amor
Liberto…

Escrito em parceria com o meu grande Amigo Pedro do Passividades. Obrigado amigão...
(publicado em ambos os blogs)
Dedicado à(s) Cláudia(s) :)


Elisabeth A. Miller

sexta-feira, setembro 10, 2004

Sabes a diferença entre uma palavra e uma imagem? Com a palavra não preciso de ver o teu rosto, para te poder imaginar e contornar como eu bem entender. Não quero o teu retrato. Prefiro ser eu a desenhar-te, mas com as (minhas) palavras. Não preciso de ver o quão bonita tu podes ser, quando posso ser eu a escrever o teu rosto, e a tua cor. Posso ser eu a escrever e desenhar-te com palavras pequenas e cheias de sinónimos, entrelaçados uns nos outros até à exaustão do esboço do teu corpo. Posso escrever o teu corpo e (re) escrever as tuas roupas, se é que precisas dela, para encobrires a beleza da imaginação. Vou descrever-te como um escultor te esculpiria. Mas não te farei de mármore. Desenhar-te-ei com os adjectivos mais elouquentes, para na perfeição do texto, surgir o teu sorriso, para que os teus lábios se movam e escrevam eles mesmos o meu nome, suspirado, lapidado no tempo. Quero ouvir as palavras que eu não saberei escrever para te fazer viver. Porque essas surgirão nos substantivos que denominarão os contornos das tuas mãos, para que com elas me possas agarrar e folhear as páginas do livro que eu criei com as páginas em branco. Escreve(-me) tu também e dá-me a cor que eu não saberei misturar. Faz-me perder o medo de usar os verbos do que (tu) me farás sentir, ouvir, cheirar, tocar, ver... viver... viver... viver... (-te)... a ti que és mais verdadeira que a lombada do livro que fechei. Traz (contigo) a palavra que me consuma e te dê o derradeiro alento. Sopra-ma ao ouvido. Suavamente. E deixa o teu corpo de letras rabiscadas ser chamado por essa mesma palavra. Dá-te um nome. Dá-me uma razão. Dá-me o texto e o significado, para quando a tinta da minha caneta se acabar, e os meus dedos estiverem cansados de escrever, eu poder fechar os olhos, e ver o esboço (de ti) completo, tatoado nas minhas pálpebras, colorido com as matizes do teu nome e marcado a fogo no meu peito, com as palavras do que me farás querer viver escritas num pergaminho, para eu o ler, e em letras me desfazer, para poder ter o profundo descanso, de me dares o significado daquilo que entenderás ser o teu amor...



De Mari Silva Carvalho